sábado, 10 de novembro de 2018

Cheguei ao inverno da vida

Cheguei ao inverno da vida


Cheguei ao inverno da vida
e aquela folha de outono amarelada,
com o frio, a chuva e a geada,
começa a ficar encarquilhada!
Eu fico triste,
mas não desanimada,
porque o sol de inverno,
também aquece
e, como por magia,
dentro de mim,
por vezes,
uma florinha de primavera,
ainda floresce!...

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Gosto de ser octogenária

Gosto de ser octogenária


Vestidos coloridos,
menineiros, 
lábios pintados,
olhos riscados,
saltos altaneiros!...
Olho para o espelho
e digo,
em jeito de brincadeira:
- Vai para a rua
e não te importes,
que te chamem,
velha gaiteira!
Mesmo vendo
o prenúncio
duma idade avançada,
esta octogenária
não fica desanimada,
porque ainda gosta de amar,
abraçar, sorrir
e, sobretudo, 
tanta gente ajudar!...

sábado, 6 de outubro de 2018

Cheguei aos 80

Cheguei aos 80


Cheguei aos oitenta,
que felicidade!
Mesmo saltando obstáculos,
montanhas, que me fizeram sofrer,
mas, também,
com jardins floridos,
regados com alegrias,
dos que me amaram
e me deram força,
para tanto tempo viver!...
Só tenho pena,
quando oiço alguém,
talvez sem maldade,
mas irresponsabilidade:
- Já morreu aos oitenta,
que linda idade!
Ninguém é velho, mesmo aos cem,
quando na sua mente,
há um pedacinho de juventude,
de inteligência!
Mais devagar,
menos sagaz,
mas muito capaz
de tanta lição bonita,
nos poder ensinar!...

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Verões quentes em Vale de Espinho

Verões quentes em Vale de Espinho


Veio-me à memória, nesta época de um calor infernal, o verão tórrido na minha aldeia, lá na Beira, quando eu era criança. Cada qual se defendia como podia e inventava-se o ar condicionado, por nós tão apreciado. Mudava-se a cozinha para as "lojas", quase sempre térreas, que se "bachicavam", constantemente, com água fresca e nos dava uma sensação de frescura inacreditável!
Ainda agora, sinto aquele cheiro a terra molhada quando visitava uma amiga e nunca me apetecia voltar para casa, embora nós também fizéssemos a vida, durante o dia, na adega de cimento, mais fresquinha.
Lá fora, parecia uma fogueira e o ar lançava uma labareda, uma autêntica língua de fogo que queimava!
Nós, as crianças, logo que a tarde chegava, íamos para a Fonte Grande chapinhar naquela água gélida, que também servia de frigorífico, onde refrescávamos a água e os refrescos de café ou limão que substituíam os gelados a que, na altura, não tínhamos acesso...

A maldade dos homens

A maldade dos homens


Olho a televisão
e só vejo corpos destroçados,
crianças de olhos vidrados,
sem vida,
onde o sonho se apagou
com o ódio dos homens cruéis,
sem coração!
Caem-me lágrimas,
de revolta,
que não consigo controlar...
E pergunto ao meu deus,
em que quero acreditar,
por quê os teus poderes infinitos já perdeste?
Ou então, meu deus,
por que te escondeste?

sábado, 21 de julho de 2018

80 anos

80 anos


Uma quinta enorme,
que eu cultivei
e dividi em talhões,
quase todos
em forma de corações!
Num talhão plantei flores,
muitas flores coloridas,
lembrando as horas felizes
por mim vividas!...
Logo a seguir,
um relvado verde,
cor da esperança
e muitos botões de rosa
lembrando as crianças,
que desabrochei
e também amei...
Rosas brancas, tristes,
salpicadas de lágrimas
pelos que me amaram
e vi morrer,
mas que a saudade
não deixou esquecer...
Mas, num talhão negro,
cor do carvão,
nada plantei,
porque a terra não prestava,
cheia de pedras
insufladas de ingratidão!!
Ficou um talhão vazio,
sem nada plantar,
espero que deus me deixe viver,
uns tempinhos,
para muito amor,
ainda poder semear!...

domingo, 3 de junho de 2018

Na praia deserta

Na praia deserta


Procuro a paz
tão desejada,
nesta praia deserta
em que tudo dorme,
porque é quase de madrugada...
O mar sereno,
beijando a areia
com tanto carinho,
faz-me inveja
e transmite-me
aquela serenidade
tão ansiada,
que logo se esvai
como a água do mar 
na areia,
por ela beijada!